Teatro Oi Casa Grande
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"Uma Noite na Lua", com Gregório Duvivier

O gênero do espetáculo é híbrido. Não se sabe ao certo se é uma comédia com momentos tristes ou um drama cheio de humor. Talvez o termo correto seja "epopéia lírica-sentimental". Mas é um termo pomposo demais. Talvez seja melhor dizer: é como aquelas músicas sobre dor-de-corno. Mas aí é pomposo de menos. É mais fácil falar sobre o que fala a peça. Fala de um homem, em cima de um palco, pensando. Tudo o que ele pensa, ele fala. E a peça é o pensamento dele.

Uma Noite na Lua levou o prêmio Sharp de Melhor Texto e o APCA de Melhor Ator para o Nanini, para quem a peça foi escrita, e com quem ela ficou três anos em cartaz. Sobre a peça, João diz: "É o texto mais auto biográfico que já escrevi. Não em relação à história, mas aos sentimentos. Todos os sentimentos que estão ali eu já senti." A peça fala sobre um autor, sobre criatividade, mas também sobre amor, e sobre solidão. Mesmo quem não escreve se identifica porque ama, ou já amou. E quem não escreve e nem nunca amou ninguém? Aí não se identifica. Mas aí também é um tipo de gente que não nos interessa.

A peça fala da solidão de um autor obsessivo. Abandonado pela mulher amada, ele tem que escrever uma peça que faça ela voltar. Mas a obsessão pela mulher o impede de pensar na peça. Aos poucos vamos vendo que a peça que estamos assistindo é a peça que ele está escrevendo, num jogo infinito de espelhos. Voltando às palavras de João: "A peça fala sobre uma coisa que todo mundo sente. Desejo de ser amado. E até onde isso pode levar."

Para essa montagem, João optou por uma encenação nua, crua e espartana. Não há nada sobre o palco. Nada além do ator. É uma caixa preta. Essa caixa se revela ora casa do ator ora a cabeça do ator ora a lua, onde o autor passa as noites. "Queria uma encenação econômica, diz João, o ator desapoiado de cenários, cadeiras ou praticáveis, sem caminhadas, nada." Durante toda a peça, o ator quase não sai do metro quadrado central. E dentro dele, tudo acontece. Maximizam-se as possibilidades cênicas de um espaço restrito, localizando o ator dentro desse não-lugar que é o lugar do pensamento.

Para contracenar com o ator, foi desenhado um jogo de luz impressionante, criado pelo próprio João: toda a iluminação da peça é feita por moving lights. A mobilidade constante da luz faz com que ela se torne, nessa peça, muito mais que luz. Ela é cenário, trilha sonora e mil personagens. Ela esvazia o palco quando é preciso e o povoa em uma fração de segundo quando é preciso. Merecia um prêmio de melhor atriz coadjuvante, no mínimo.

A trilha, também composta pelo próprio João, foi gravada e arranjada pelos músicos Dani Black e Maycon Ananias. A trilha de Uma Noite na Lua foi gravada em Buenos Aires, quase integralmente gravada com cordas de todos os tipos: violão, violoncelo, violino e contrabaixo.
A peça tem feito uma turnê linda pelo Brasil e arrancado elogios e críticas maravilhosas. Em Agosto de 2012, Gregório fundou com outros atores o Porta dos Fundos, que hoje é o maior canal de humor do Brasil e um dos maiores do mundo.

“Nunca fui tão feliz fazendo uma peça. Amo fazer peças com grandes elencos. O Tablado, escola de teatro que eu frequentei por 10 anos, é famoso por fazer peças com elencos gigantescos. E lá também eu fui muito feliz. No entanto, nada se iguala à alegria de subir no palco sozinho, contar uma história desprovida de pirotecnias e ainda assim fazer rir e emocionar. Isso é um ponto importante para mim: nunca antes tinha feito chorar (ao menos não propositalmente). E fazer chorar é tão lindo quanto fazer rir. Os dois juntos, então, é o que mais me faz rir. E chorar. Toda noite que eu passo na lua eu choro de felicidade e paixão pelo teatro. Obrigado, João!”
Gregório Duvivier

“João Falcão torna a sua “Uma noite na lua” divertida, fascinante, melancólica, um exemplar excepcional da nova dramaturgia brasileira.”

“Uma noite na lua” tem agora uma nova montagem de alta categoria, uma noite de teatro de alta qualidade.”

“Dirigido pelo autor, Gregório Duvivier foi guiado para ter uma atuação precisa, que consegue transmitir o caos interno do protagonista sem exageros, buscando a todo momento a verdade daquela crise...”

Bárbara Heliodora, O Globo, 7 de junho de 2012

Sinopse de ‘Uma Noite na Lua’:

Escritor sem um único título de sua autoria luta para enfim terminar uma peça sobre um homem solitário que processa suas ideias em cima de um palco e vive às turras com a recordação de Berenice, sua ex-mulher.

Ficha Técnica:

Dramaturgia, canção original, iluminação e direção geral: João Falcão
Ator: Gregório Duvivier
Direção Musical: Dani Black e Maycon Ananias
Produção executiva: Barbara Duvivier
Direção de produção: Roberta Brisson

Sexta e Sábado as 21h 
Domingo as 19h 
Preço Único R$ 80,00




classificação: -

duração: -

Bilheteria

Telefone: (21) 2511.0800
Terças e quartas - 15h às 20h
Quintas e sextas - 15h às 21h
Sábados - 12h às 21h30
Domingos - 12h às 19h
Ingressos também pelo site Ingresso.com ( www.ingresso.com.br )
Capacidade do teatro: 926 lugares
Estacionamento Shopping Leblon: com entrada pela rua ao lado (Rua Professor Antonio Maria Teixeira). O estacionamento funciona de 7h às 24h.

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"Beije minha Lápide", com Marco Nanini

Marco Nanini tinha um antigo desejo de trabalhar com a obra de Oscar Wilde (1854-1900), mas nunca elegeu – entre tantas pérolas – um texto do dramaturgo para levar ao palco. Tampouco cogitava fazer uma biografia teatral, mesmo com a rica e conturbada trajetória do irlandês. O ‘impasse’ foi rompido com ‘Beije a Minha Lápide’, texto inédito de Jô Bilac que entra em cena a partir de 29 de agosto no Centro Cultural Correios. Dirigida por Bel Garcia e produzida por Fernando Libonati (Pequena Central), a montagem conta a história de Bala (Nanini), ardoroso fã de Wilde que está preso por quebrar a barreira de vidro que isola o túmulo do escritor no célebre cemitério de Père Lachaise, em Paris.

Se o drama de Bala é fictício, a proteção da sepultura é real e foi colocada por conta de um curioso ritual que os fãs de Wilde faziam ao visitar o local, ao – como o título do espetáculo indica – beijar a tal lápide. ‘O texto tem muitas analogias com a vida e a obra de Wilde, com algumas citações mais explícitas e outras que se refletem nas falas e nas histórias das personagens. Quem não conhece Oscar Wilde vai entender perfeitamente e esperamos que saia querendo conhecê-lo mais’, explica Nanini, responsável por convidar Bel Garcia para a direção e o jovem elenco da Cia. Teatro Independente para dividir o palco.

Carolina Pismel, Júlia Marini e Paulo Verlings vem de montagens bem-sucedidas da jovem companhia, como ‘Cachorro!’, ‘Rebu’ e ‘Cucaracha’, todas com autoria de Jô Bilac. Já Bel Garcia, fundadora da Cia. dos Atores, esteve como atriz na montagem de ‘O Bem Amado’ protagonizada por Nanini em 2007 e, desde então, desenvolveu carreira de diretora que culminou na premiada ‘Conselho de Classe’, dirigida em parceria com Susana Ribeiro e também escrita por Bilac. Assim como nas montagens do grupo, elenco, direção e autor construíram juntos a dramaturgia em um processo colaborativo.

O processo e a equipe ‘Desde o primeiro momento, discutimos muito o conceito geral, os diálogos e o desenvolvimento das cenas. Fiquei impressionado com a rapidez do Jô, que modificava cenas inteiras em um dia e entregou o texto final em menos de um mês’, conta Nanini. ‘O interessante é que o texto traz uma visão brasileira, de um autor brasileiro, sobre a história e o mito. Tem uma Paris retratada que pode ser um reflexo do Rio de Janeiro também’, analisa Bel Garcia.

Nanini e Fernando Libonati convocaram o grupo depois de assistir com entusiasmo a todo o seu repertório, que ocupou o Galpão Gamboa – espaço mantido pela dupla na Zona Portuária do Rio – em diversas temporadas. A equipe de criação é formada ainda pelos antigos colaboradores Daniela Thomas (cenografia), Antônio Guedes (figurino) e Beto Bruel (iluminação), parceiros de Nanini e Libonati em montagens como ‘Pterodátilos’ (2010). Rafael Rocha, do grupo Tono, assina a trilha e Julio Parente as projeções.

‘O texto já tem uma imagem forte e asséptica, ao trazer o protagonista preso em uma cela de vidro. A partir disto, a iluminação, a música e as projeções ajudam a trazer uma ‘temperatura’ para a cena’, resume Bel. ‘O vidro ironiza de forma bem cruel esta sensação de confinamento, pela qual Wilde passou injustamente, ao ser condenado por sodomia’, assinala Nanini.

Nanini, Wilde e Bilac
Foi na prisão onde Wilde escreveu ‘De Profundis’, uma de suas obras mais importantes, espécie de carta de amor escrita diariamente durante os dois anos em que esteve encarcerado. O texto documenta a conturbada relação de amor e ódio que manteve com Lord Alfred Douglas. Em uma profunda autoanálise de consciência, Wilde tece reflexões e observa à distância a sua própria tragédia.‘

’De Profundis’ traz Wilde fora de sua vida de luxo e sucesso que tinha desde então e mostra como a prisão redimensionou as suas percepções sobre a vida e a morte’, conta Jô Bilac, que criou a peça inspirado pela força que o discurso do escritor ainda tem. Nanini concorda: ‘‘De Profundis’ é quase um milagre pela forma com que foi escrita. Não somente os temas de Wilde que são atualíssimos, mas também a sua escrita irônica e elegante’, afirma Nanini, cujo tempo livre tem sido dedicada à pesquisa e releitura de textos do irlandês.Bilac, que diz ter criado Bala como diálogo de seu encontro com Wilde e Nanini, passa a integrar o extenso e variado currículo teatral de Marco Nanini.

Somente nas últimas duas décadas – sempre com Libonati na produção – o ator protagonizou clássicos de Molière, (‘O Burguês Ridículo’, 1996), Edward Albee (‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf, 2000) e Arthur Miller (‘A Morte de Um Caixeiro Viajante’, 2003), além de espetáculos mais ligados ao experimentalismo (‘Um Circo de Rins e Fígados’, de Gerald Thomas, 2005, e ‘A Arte e a Maneira de Abordar Seu Chefe Para Pedir um Aumento’, texto de Georges Perec com direção de Guel Arraes, em 2012).

Esta alta produtividade inclui ainda autores nacionais (Dias Gomes em ‘O Bem Amado’, de 2007, e João Falcão, no monólogo ‘Uma Noite na Lua’, 1997) e um flerte com a dramaturgia do americano Nicky Silver em ‘Os Solitários’ (2002) e ‘Pterodátilos’ (2010), ambas com direção de Felipe Hirsch. Neste período, conquistou os Prêmios Shell, Sharp, Mambembe, Bravo, APTR, APCA, Qualidade Brasil, Quem, Contigo e Faz Diferença (O Globo).

Dias do Evento: 29 de agosto a 5 de outubro

Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20. Tel: 2219-5165.




classificação: 16 anos

duração: 80 min

Bilheteria

Telefone: (21) 2511.0800
Terças e quartas - 15h às 20h
Quintas e sextas - 15h às 21h
Sábados - 12h às 21h30
Domingos - 12h às 19h
Ingressos também pelo site Ingresso.com ( www.ingresso.com.br )
Capacidade do teatro: 926 lugares
Estacionamento Shopping Leblon: com entrada pela rua ao lado (Rua Professor Antonio Maria Teixeira). O estacionamento funciona de 7h às 24h.